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Como nasceu o fim de semana de dois dias?

O fim de semana de dois dias não foi invenção de uma única pessoa. Sua história envolve fábricas, trabalhadores, leis e tempo livre.

3 min de leitura

A sexta-feira tem alguma coisa especial, um não sei quê. Muita gente só quer voltar para casa e aproveitar o fim de semana. E, se a sexta for feriado, dificilmente alguém reclama de ganhar um descanso de três dias.

Só que nem sempre o sábado e o domingo foram dias de folga, como costuma acontecer hoje para parte dos trabalhadores. Como chegamos a esse costume?

Quando o sábado ainda era dia de trabalho

Muito antes das fábricas, diferentes religiões já reservavam dias para descanso ou práticas de fé. O sábado tem um lugar importante no judaísmo, assim como o domingo no cristianismo.

Com a expansão das fábricas no século XIX, os horários de trabalho passaram a fazer parte da vida de uma maneira cada vez mais organizada. Na Grã-Bretanha, surgiram campanhas para que os trabalhadores tivessem pelo menos a tarde de sábado livre. Os motivos variavam: alguns queriam passar mais tempo com a família, outros defendiam razões religiosas, e os comerciantes viam uma vantagem em ter mais pessoas com tempo para comprar e passear.

A tarde livre também abriu espaço para excursões de trem, espetáculos e partidas de futebol. O historiador Brad Beaven conta que os jogos de sábado ajudaram a valorizar esse tempo. Afinal, não bastava alguém ter horas livres: era muito melhor quando os amigos e familiares também podiam aproveitar.

Aos poucos, o descanso de parte do sábado foi se espalhando, mais rapidamente em alguns setores e lugares, mais devagar em outros. A folga de dois dias completos ainda demoraria a se tornar comum.

Então quem inventou o fim de semana?

Uma resposta bastante conhecida é Henry Ford, o fabricante de automóveis dos Estados Unidos. Ele realmente teve um papel importante. Mas dizer que inventou o fim de semana é exagero.

Segundo os registros do museu The Henry Ford, a empresa adotou a semana de cinco dias e quarenta horas para os operários em 1º de maio de 1926 e estendeu a medida aos funcionários de escritório naquele mesmo ano. Foi uma decisão de grande influência, embora já existissem campanhas e experiências anteriores para reduzir a jornada de trabalho.

Ford também pensava nos negócios. Com tempo para sair, viajar e comprar, as pessoas poderiam consumir aquilo que as empresas produziam. Já os trabalhadores que reivindicavam jornadas menores tinham razões próprias. Para muitos, o desejo era simples: ter uma vida fora da fábrica. Os motivos eram diferentes, mas ambos os lados encontravam vantagens numa semana de trabalho mais curta.

Com o tempo, vieram novos acordos e leis. Em 1919, a Organização Internacional do Trabalho, a OIT, adotou uma convenção que estabelecia, para boa parte do trabalho industrial e com algumas exceções, o limite normal de oito horas por dia e quarenta e oito por semana. Em 1935, outra convenção reconheceu o princípio de uma semana de quarenta horas. Isso não fez todos os países mudarem seus horários de um dia para o outro.

Basta pensar em hospitais, restaurantes, transportes ou lojas para lembrar que muita gente trabalha justamente quando outras pessoas estão descansando. Os horários e os direitos variam conforme o local e a atividade.

Ninguém acordou uma manhã, inventou o sábado livre e convenceu o mundo inteiro. O fim de semana de dois dias foi ganhando forma com as reivindicações dos trabalhadores, as decisões das empresas e as mudanças nas leis. E ainda hoje discutimos quanto tempo da nossa vida deveria ser dedicado ao trabalho.

F. J. Levin

Revisado e aprovado

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