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Por que esquecemos tão rápido o que estudamos?

Você estuda, entende e, alguns dias depois, mal consegue se lembrar do conteúdo. Por que isso acontece e como podemos conservar melhor o que aprendemos?

4 min de leitura

Existem palavras que conhecemos perfeitamente até o momento em que precisamos utilizá-las. Estão lá, em algum cantinho da nossa memória. Sabemos até com que letra começam, onde as ouvimos e quem nos ensinou. Mas, quando tentamos lembrar, desaparecem. Às vezes, voltam alguns minutos depois, quando já não servem para nada, como aquelas respostas que nos vêm à cabeça no caminho de casa, depois que a prova já terminou.

O curioso é que isso também acontece com informações que estudamos cuidadosamente. Podemos dedicar horas à compreensão de um assunto e, alguns dias depois, ter dificuldade para explicá-lo. Então surge uma pergunta bastante razoável: de que adiantou tanto esforço se acabamos esquecendo?

Talvez a resposta esteja em compreender primeiro como a nossa memória funciona e por que lembrar de alguma coisa hoje não garante que conseguiremos fazer o mesmo amanhã.

Esquecer nem sempre significa perder

Imagine que você estudou as causas de um acontecimento histórico. Leu o capítulo, fez anotações e até conseguiu explicar as ideias principais. Uma semana depois, alguém pergunta sobre o mesmo assunto e você mal se lembra de alguns detalhes. No entanto, quando volta a ler suas anotações, muitas explicações parecem familiares e você consegue recuperá-las com relativa facilidade.

É possível que parte daquela informação não tenha desaparecido completamente. Em algumas situações, o problema está em encontrar o caminho para recuperá-la. As lembranças não funcionam como documentos guardados em uma pasta, em que basta saber o nome do arquivo para abri-lo. Elas dependem das associações que construímos, das pistas disponíveis e de quanto praticamos sua recuperação.

É claro que também podemos esquecer informações que nunca chegamos a aprender suficientemente bem. E, quando estudamos muitos conceitos parecidos, alguns podem interferir nos outros. Por isso, reconhecer um assunto ao encontrá-lo novamente não significa que conservamos todos os seus detalhes, mas também não quer dizer que precisamos necessariamente começar do zero.

O valor do treino

Existe algo especialmente enganoso em ler o mesmo conteúdo várias vezes. Durante a primeira leitura, precisamos prestar atenção para entender o que o autor está dizendo. Na segunda, algumas frases começam a parecer familiares. Depois de várias repetições, podemos até antecipar certas palavras antes de terminar de lê-las. Essa sensação até que é agradável.

Pense em uma música. Podemos ouvi-la tantas vezes que reconhecemos imediatamente a melodia e acompanhamos algumas palavras. Mas, se alguém desligar a música e pedir que a gente cante desde o começo, talvez descubramos que sabemos bem menos da letra do que imaginávamos.

Com os estudos acontece algo parecido. Enquanto temos o conteúdo diante dos olhos, a própria página nos ajuda a reconhecê-lo. Quando essa ajuda desaparece, precisamos recuperar as ideias por conta própria. E é justamente nesse momento que muitas vezes encontramos dificuldades que não havíamos percebido.

Pesquisas sobre aprendizagem observaram que tentar recuperar informações sem consultar o material pode nos ajudar a conservá-las por mais tempo. Essa prática, conhecida como recuperação ativa, consiste justamente em fazer o esforço de lembrar antes de procurar novamente a resposta.

Por exemplo, depois de estudar um capítulo de história, você pode fechar o livro e escrever aquilo de que se lembra sobre os principais acontecimentos. Não precisa reproduzir cada frase nem lembrar perfeitamente todos os nomes. O importante é verificar o que consegue recuperar sem ajuda. Depois, compare o que escreveu com o material original e corrija os erros.

Aqui existe um detalhe importante: errar durante o exercício não significa que ele foi inútil. Pelo contrário, descobrir uma resposta incorreta e receber a correção correspondente pode nos ajudar a identificar o que ainda precisamos trabalhar. O que não convém é deixar o erro sem revisão, porque poderíamos acabar praticando uma informação equivocada.

E não precisamos transformar cada sessão de estudo em uma prova interminável. Às vezes, basta parar alguns minutos e tentar reconstruir o que acabamos de aprender.

Existe outro hábito que pode jogar contra nós: concentrar todo o estudo em uma única tarde. É compreensível. Quando temos uma prova no dia seguinte, estudar durante várias horas seguidas parece ser a única solução disponível. E, para responder a algumas perguntas logo depois, essa preparação pode ser útil.

Mas, se queremos conservar os conhecimentos durante semanas ou meses, vale a pena distribuir as práticas ao longo do tempo.

Isso significa estudar um assunto, voltar a ele mais tarde e tentar lembrá-lo novamente. Pesquisas sobre prática espaçada encontraram benefícios para a retenção a longo prazo em diferentes tipos de aprendizagem. Não existe um intervalo perfeito que funcione para todas as pessoas e todos os conteúdos; o importante é que o conhecimento volte a ser utilizado depois de algum tempo.

Pense novamente naquela palavra de que não conseguíamos lembrar. Se a aprendermos hoje, praticarmos amanhã e voltarmos a utilizá-la alguns dias depois em uma conversa, teremos novas oportunidades de recuperá-la. Talvez ainda a esqueçamos alguma vez. A memória não oferece garantias absolutas, por mais que a gente gostaria que oferecesse.

Mas existe uma diferença entre estudar alguma coisa até reconhecê-la e praticá-la até conseguir recuperá-la quando precisamos.

Da próxima vez que uma resposta escapar da sua memória, não tenha pressa em concluir que todo o estudo foi inútil. Talvez você precise voltar ao conteúdo, corrigir alguma confusão ou encontrar uma maneira diferente de praticá-lo. E, com um pouco de sorte, aquela resposta aparecerá enquanto você ainda estiver fazendo a prova, não quando já tiver chegado em casa.

F. J. Levin

Revisado e aprovado

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