Ir para o conteúdo
PT/ES

O que vale a pena automatizar primeiro em uma pequena empresa?

Um cliente chega para buscar uma bicicleta que ainda não está pronta. Antes de investir em IA, veja como organizar o trabalho e escolher uma tarefa útil para automatizar.

3 min de leitura

Na sexta-feira à tarde, uma pessoa chega à oficina para buscar sua bicicleta. Precisa dela para ir trabalhar na segunda-feira. Tinham prometido que estaria pronta, mas a peça de reposição ainda não chegou. A data estava anotada num caderno; o pedido da peça, numa mensagem; e quem atendeu o telefonema achava que outro colega já tinha resolvido tudo. É uma situação imaginária, mas o problema fica evidente: o trabalho estava dividido entre várias pessoas e ninguém conseguia enxergar o andamento completo.

Numa hora dessas, é fácil dizer: «Precisamos de inteligência artificial para automatizar tudo». Mas talvez ainda não seja necessário. Primeiro é preciso conseguir algo mais simples: fazer com que todos saibam quais bicicletas estão esperando peças, quais estão prontas e o que foi prometido a seus donos.

Automatizar significa deixar uma regra preparada para que uma tarefa aconteça sem precisar repeti-la manualmente toda vez. Por exemplo, fazer com que uma lista nos lembre quais consertos devem ser entregues no dia seguinte. A inteligência artificial pode ser útil em alguns trabalhos, mas esse lembrete não precisa dela.

Primeiro, descobrir onde a informação se perde

Voltemos à oficina. Uma bicicleta chega, alguém anota o nome do cliente e o que precisa ser consertado, um mecânico verifica o problema e, se for necessário, encomenda uma peça. Depois, é preciso confirmar a data da entrega. A dificuldade aparece quando essas informações ficam em lugares diferentes e ninguém sabe qual delas está atualizada.

Antes de escolher um programa, você pode acompanhar o caminho de um único pedido numa folha: onde ele é recebido?, onde anotamos o que falta?, quem confirma que está pronto? Se uma resposta depende de perguntar a alguém que não veio trabalhar naquele dia, você já encontrou algo que merece melhorar.

A primeira solução pode ser uma lista compartilhada, até mesmo uma planilha, com poucos dados: serviço pendente, pessoa responsável, data prometida e situação atual. Não é necessário copiar para lá todo o conteúdo das conversas. O importante é que a equipe tenha um lugar confiável para consultar o que precisa.

Depois, escolher uma tarefa pequena

Quando a oficina já tem a lista organizada, pode observar qual trabalho se repete sem trazer muito valor. Talvez toda tarde alguém confira as entregas do dia seguinte e avise aos mecânicos o que precisa ficar pronto. Esse aviso interno poderia ser preparado automaticamente com base na data registrada.

Por outro lado, decidir se uma bicicleta está segura para ser entregue não deveria depender de um aviso automático. O mesmo vale para prometer uma data quando ainda não sabemos se a peça chegará. Nessas horas, uma pessoa precisa conferir a situação.

Para escolher a primeira tarefa, você pode fazer três perguntas: nós a repetimos com frequência?, as regras são claras?, conseguimos perceber um erro com facilidade? Se as três respostas forem positivas, temos uma candidata razoável. Se houver exceções importantes ou decisões delicadas, é melhor manter uma revisão humana.

Não é preciso contratar um sistema enorme. Um lembrete no calendário, uma planilha compartilhada ou uma função simples do programa que você já usa podem bastar. Comprar uma ferramenta antes de organizar o caminho do trabalho é um jeito bem caro de continuar desorganizado.

Testar antes de depender dela

Agora vem a parte que costuma ser esquecida. Faça um teste com pedidos inventados: uma bicicleta que será entregue amanhã, outra esperando uma peça e uma terceira cuja data foi alterada. Confira se o aviso mostra apenas os serviços certos e se alguém consegue corrigir as informações.

Depois, experimente com alguns pedidos reais, sem deixar de conferir os resultados. Menos avisos ficaram esquecidos? Apareceram dados errados? Quanto trabalho dá manter a lista? Também vale limitar quem pode ver os telefones e outros dados dos clientes. O fato de uma ferramenta permitir compartilhar informações não significa que toda a equipe precise ter acesso a elas.

Se funcionar, você pode pensar em outra tarefa. Se não, corrija a lista ou a regra antes de acrescentar mais coisas. Automatizar não significa tirar as pessoas do processo a qualquer custo. Significa liberar tempo para aquilo que realmente precisa da atenção delas.

Na oficina, a grande conquista não seria anunciar que «agora usamos IA». Seria que, quando alguém perguntasse pela bicicleta, qualquer pessoa da equipe conseguisse dar uma resposta correta sem procurar em três cadernos nem ligar para o colega que está de folga.

F. J. Levin

Revisado e aprovado

CompartilharEnviar pelo WhatsApp

Acontece algo parecido no seu negócio?

Me conte pelo WhatsApp e vemos se um sistema resolve. Primeiro a gente conversa; depois, se fizer sentido, preparo uma proposta.

Falar com o Studio

Continue lendo