Chapeuzinho Vermelho
Uma menina de capuz vermelho atravessa a floresta para visitar a avó. No caminho, encontra um lobo muito educado e curioso até demais. Uma adaptação do conto clássico para ler em família.

Num vilarejo cercado de árvores vivia uma menina que todo mundo conhecia pelo seu capuz vermelho. Ela o tinha ganhado da avó, feito com um tecido tão macio que a menina não queria usar nenhum outro. Usava o capuz para brincar, para fazer visitas e até naqueles dias de muito, muito calor, quando um sorvete parece a melhor ideia do mundo. A mãe dizia que ela podia tirá-lo um pouquinho, mas a menina não queria nem ouvir falar nisso. No fim das contas, ninguém mais se lembrava de chamá-la de outro jeito: era, simplesmente, Chapeuzinho Vermelho.
A avó morava do outro lado da floresta, numa casinha com uma janela cheia de vasos de plantas. Fazia alguns dias que estava doente e passava as manhãs descansando. Por isso, certa manhã, a mãe de Chapeuzinho preparou uma cesta com pãezinhos recém-assados, um pote de geleia e algumas maçãs.
— Leve para a vovó, está bem? Ela vai ficar feliz de ver você. Mas vá pela trilha e não fique passeando entre as árvores. A floresta é bonita, você sabe, mas é fácil se perder quando a gente não presta atenção. E, se alguém que você não conhece perguntar aonde você vai, não precisa contar.
— Pode deixar, mamãe. Vou direto para lá — respondeu Chapeuzinho, ajeitando a cesta no braço.
Saiu de casa quando ainda havia gotinhas de orvalho na grama. A floresta já estava acordada: os passarinhos ensaiavam suas canções, as folhas balançavam com a brisa e, aqui e ali, cresciam flores amarelas, brancas e azuis. Chapeuzinho conhecia aquele caminho. Já tinha passado por ali muitas vezes de mãos dadas com a mãe, embora naquele dia estivesse sozinha.
Não tinha andado muito quando, de trás de um tronco, apareceu um lobo. Ele caminhava devagar e falava com tanta educação que, não fossem aqueles dentes enormes, qualquer um pensaria que era um vizinho saindo para passear.
— Bom dia, pequena. Aonde você vai tão cedo com essa cesta?
— Vou à casa da minha avó — respondeu Chapeuzinho. — Ela não está se sentindo bem, então estou levando umas coisas gostosas para o café da manhã.
— Que netinha atenciosa! E ela mora muito longe?
— Não muito. Fica depois dos três carvalhos grandes, onde a trilha faz uma curva. Tem flores na janela.
O lobo estava a manhã inteira de barriga vazia. Olhou para a trilha, por onde de vez em quando passava gente, e pensou na casinha afastada que a menina tinha acabado de descrever. Se chegasse antes dela, poderia surpreender as duas sem que ninguém as ouvisse pedir socorro. Sorriu. E não era, exatamente, um sorriso de alegria.
— Ora, ora — disse ele. — Aposto que sua avó também ia gostar de ganhar um buquê de flores. Olhe quantas tem por aqui! Se eu fosse você, escolheria as mais bonitas.
Chapeuzinho olhou em volta. Era verdade: as flores pareciam recém-pintadas. Pensou que levaria só um minutinho e que a avó ficaria toda contente ao vê-la chegar com um buquê. Deixou a cesta perto de uma pedra e saiu alguns passos da trilha.
Enquanto escolhia uma flor, achou outra um pouco mais adiante. E, depois daquela, outra ainda mais bonita. Assim, sem perceber, foi se afastando do caminho. O lobo, por sua vez, não perdeu tempo: pegou o atalho mais curto e correu até a casa da avó.
Quando chegou, bateu de leve na porta, três vezes.
— Quem é? — perguntou a avó, da cama.
— Sou eu, Chapeuzinho! — respondeu o lobo, afinando a voz. — Trouxe uma cesta cheia de coisas gostosas.
— A porta está destrancada, meu bem. Entre, que hoje estou com dificuldade para levantar.
O lobo entrou de um salto. A avó conseguiu se sentar na cama, mas estava fraca demais para fugir. O animal a levou até o armário do corredor, trancou-a lá dentro e encostou uma cadeira na porta para que ela não conseguisse abrir. A avó bateu com a mão, mas do quarto quase não dava para ouvir. O lobo não quis perder tempo: pôs a touca de dormir da avó, puxou as cobertas até o nariz e ficou esperando na cama, tentando parecer uma vovozinha muito cansada.
Enquanto isso, Chapeuzinho tinha juntado tantas flores que mal conseguia segurá-las com uma mão. Foi então que se lembrou da cesta, da trilha e da promessa que tinha feito à mãe. Voltou pelo mesmo caminho, pegou a cesta e seguiu em frente. Não parou mais para olhar flor nenhuma.
Ao chegar à casa, encontrou a porta entreaberta. Achou estranho, porque a avó sempre dizia que as correntes de ar eram capazes de entrar até nos pensamentos. Chamou baixinho.
— Vovó? Cheguei!
— Entre, minha netinha — respondeu uma voz rouca, lá do quarto.
Chapeuzinho deixou a cesta sobre a mesa. O quarto estava meio escuro, e a avó estava com a touca bem puxada sobre a testa. A menina se aproximou um pouco. Depois, mais um pouquinho. Ouviu uma batidinha ao longe, como se alguém tocasse num móvel, mas estava ocupada demais olhando aquele rosto estranho. Tinha alguma coisa errada, só não sabia dizer o quê.
— Vovó, que orelhas grandes você tem!
— São para ouvir você melhor, querida.
— E que olhos grandes!
— São para ver você melhor.
— Mas, vovó… que mãos grandes você tem!
— São para abraçar você melhor — respondeu o lobo, esticando as patas debaixo da coberta.
Veio outra batidinha do corredor. Chapeuzinho deu um passo para trás. Já não tinha certeza de que aquela fosse mesmo a voz da avó.
— E… que boca enorme você tem!
— É para comer você melhor!
O lobo pulou da cama, mas Chapeuzinho já tinha começado a correr. Chegou à porta do quarto e viu o animal se colocar entre ela e a saída. A menina recuou até a mesa, pegou a cesta e a segurou à sua frente enquanto gritava o mais alto que podia. Do armário do corredor vieram várias batidas seguidas. Agora, sim, ela ouviu direitinho.
Por sorte, um caçador que conhecia muito bem aquela floresta passava perto da casa. Ouviu o grito, depois as batidas e, ao ver a porta entreaberta, entrou na mesma hora. Ficou surpreso ao encontrar o lobo usando uma touca de dormir que ficava bem ridícula nele. Mas logo viu Chapeuzinho atrás da mesa e entendeu que aquilo não tinha graça nenhuma.
O caçador se colocou entre o lobo e a menina e, com voz firme, mandou que ele saísse da casa. O animal olhou para o caçador, olhou para a porta aberta e decidiu que aquele já não era um bom lugar para continuar com sua armadilha. Saiu disparado e sumiu entre as árvores.
— A vovó está no armário! — disse Chapeuzinho, que finalmente tinha entendido de onde vinham as batidas. Os dois afastaram a cadeira e abriram a porta. A avó saiu devagar, ainda assustada. Assim que viu a neta, deu nela um abraço tão apertado quanto seus braços permitiam.
O caçador conferiu se as duas estavam bem e prometeu avisar no vilarejo que o lobo continuava rondando a floresta. A avó se sentou perto da janela para recuperar o fôlego; Chapeuzinho trouxe um copo de água e ficou ali do lado, segurando a mão dela, por um bom tempo.
Quando as duas já estavam melhor, abriram a cesta. Os pãezinhos ainda tinham cheiro de forno, e o pote de geleia tinha chegado inteiro. Puseram as flores num vaso e sentaram para tomar café da manhã. Tinham levado um susto daqueles, é verdade, mas agora estavam juntas, e era isso o que realmente importava.
Antes de voltar para casa, Chapeuzinho deu um beijo na avó e pegou o capuz vermelho, que tinha ficado sobre uma cadeira.
— Amanhã eu volto para ver você — disse. — E desta vez vou pela trilha, sem sair do caminho para colher flores nem contar a um desconhecido onde você mora, por mais simpático que ele pareça.
A avó ajeitou o capuz na cabeça dela e sorriu. Lá fora, entre as árvores, o vento continuava balançando as folhas. A floresta era a mesma daquela manhã; o que tinha mudado era o jeito como Chapeuzinho olhava para ela. E assim, com a cesta vazia e o coração um pouco mais tranquilo, ela pegou o caminho de volta.
Para conversar depois do conto
Por que você acha que Chapeuzinho confiou no lobo, mesmo sem conhecê-lo?
Se você pudesse dar um conselho a Chapeuzinho antes de ela começar o passeio pela floresta, o que diria?
En un pueblo rodeado de árboles vivía una niña a la que todos conocían por su caperuza roja. Se la había regalado su abuela, cosida con una tela tan suave que la niña no quería ponerse ninguna otra. La llevaba para salir a jugar, para ir de visita y hasta en esos días de mucho, muchísimo calor, cuando uno piensa que un helado es la mejor idea del mundo. Su madre le decía que podía quitársela un rato, pero ella no quería ni oír hablar del asunto. Al final, nadie recordaba haberla llamado de otra manera: era, sencillamente, Caperucita Roja.
Su abuela vivía al otro lado del bosque, en una casita con una ventana llena de macetas. Hacía unos días que estaba enferma y pasaba las mañanas descansando. Por eso, una mañana, la madre de Caperucita preparó una cesta con panecillos recién hechos, un frasco de mermelada y unas manzanas.
—Llévasela a la abuela, ¿quieres? Seguro que se alegra de verte. Pero ve por el sendero y no te entretengas entre los árboles. El bosque es muy bonito, ya lo sabes, pero uno puede perderse si no presta atención. Y si alguien que no conoces te pregunta adónde vas, no tienes por qué contárselo.
—No te preocupes, mamá. Iré directo —respondió Caperucita, acomodándose la cesta en el brazo.
Salió cuando todavía quedaban gotas de rocío sobre la hierba. El bosque ya estaba despierto: los pájaros ensayaban sus canciones, las hojas se movían con una brisa suave y aquí y allá crecían flores amarillas, blancas y azules. Caperucita conocía aquel camino. Lo había recorrido muchas veces de la mano de su madre, aunque ese día iba sola.
No llevaba mucho andando cuando, desde detrás de un tronco, apareció un lobo. Caminaba despacio y hablaba con tanta educación que, de no ser por sus enormes dientes, cualquiera lo habría confundido con un vecino que salía a dar un paseo.
—Buenos días, pequeña. ¿Adónde vas tan temprano con esa cesta?
—A casa de mi abuela —contestó Caperucita—. No se siente bien y le llevo algo rico para desayunar.
—Qué nieta tan atenta. ¿Y vive muy lejos?
—No mucho. Pasando los tres robles grandes, donde el sendero hace una curva. Tiene flores en la ventana.
El lobo llevaba toda la mañana con el estómago vacío. Miró el sendero, por donde de vez en cuando pasaba gente, y pensó en la casita apartada que la niña acababa de describirle. Si llegaba antes que ella, podría sorprender a las dos sin que nadie las oyera pedir ayuda. Sonrió. No era, precisamente, una sonrisa de alegría.
—Vaya, vaya —dijo—. Seguro que a tu abuela también le gustaría recibir un ramo de flores. Mira cuántas hay por aquí. Yo, en tu lugar, elegiría las más bonitas.
Caperucita miró a su alrededor. Era verdad: las flores parecían recién pintadas. Pensó que solo tardaría un momentito y que la abuela se pondría contentísima al verla llegar con un ramo. Dejó la cesta junto a una piedra y se apartó unos pasos del sendero.
Mientras elegía una flor, descubrió otra un poco más allá. Y detrás de esa, otra todavía más bonita. Así, sin darse cuenta, se fue alejando del camino. El lobo, en cambio, no perdió ni un instante: tomó el atajo más corto y corrió hacia la casa de la abuela.
Al llegar, dio tres golpecitos en la puerta.
—¿Quién es? —preguntó la abuela desde la cama.
—¡Soy Caperucita! —respondió el lobo, poniendo una vocecita fina—. Te traigo una cesta con cosas ricas.
—La puerta está sin llave, cariño. Pasa, que hoy me cuesta levantarme.
El lobo entró de un salto. La abuela llegó a incorporarse, pero estaba demasiado débil para escapar. El animal la llevó hasta el armario del pasillo, la encerró y apoyó una silla contra la puerta para que no pudiera abrirla. La abuela golpeó con la mano, aunque desde el dormitorio apenas se oía. El lobo no quiso perder tiempo: se puso el gorro de dormir de la abuela, se tapó hasta la nariz y esperó en la cama, tratando de parecer una abuelita muy cansada.
Mientras tanto, Caperucita había juntado tantas flores que casi no podía sostenerlas con una mano. Entonces se acordó de la cesta, del sendero y de lo que le había prometido a su madre. Volvió sobre sus pasos, recogió la cesta y siguió su camino. Ya no se detuvo a mirar ninguna flor.
Cuando llegó a la casa, encontró la puerta entreabierta. Le pareció raro, porque su abuela siempre decía que las corrientes de aire eran capaces de meterse hasta en los pensamientos. Llamó despacito.
—¿Abuela? Ya llegué.
—Pasa, hijita —contestó una voz ronca desde el dormitorio.
Caperucita dejó la cesta sobre la mesa. El cuarto estaba en penumbra y la abuela tenía el gorro muy metido sobre la frente. La niña se acercó un poco. Después, otro poquito. Oyó un golpecito lejano, como si alguien tocara un mueble, pero estaba demasiado ocupada mirando aquella cara extraña. Algo no andaba bien, aunque no sabía decir qué.
—Abuela, ¡qué orejas tan grandes tienes!
—Son para escucharte mejor, querida.
—Y ¡qué ojos tan grandes!
—Son para verte mejor.
—Pero, abuela… ¡qué manos tan grandes tienes!
—Son para abrazarte mejor —contestó el lobo, estirando las patas bajo la manta.
Desde el pasillo llegó otro golpecito. Caperucita dio un paso atrás. Ya no estaba segura de que aquella voz fuera la de su abuela.
—Y… ¡qué boca tan enorme tienes!
—¡Es para comerte mejor!
El lobo saltó de la cama, pero Caperucita ya había empezado a correr. Llegó a la puerta del dormitorio y entonces vio al animal ponerse entre ella y la salida. La niña retrocedió hasta la mesa, agarró la cesta y la sostuvo frente a ella mientras gritaba con todas sus fuerzas. Del armario del pasillo llegaron varios golpes seguidos. Esta vez sí los escuchó con claridad.
Por suerte, un cazador que conocía muy bien aquel bosque pasaba cerca de la casa. Oyó el grito, después los golpes y, al ver la puerta entreabierta, entró sin perder un segundo. Se quedó sorprendido al encontrar al lobo con un gorro de dormir que le quedaba bastante ridículo. Pero enseguida vio a Caperucita detrás de la mesa y entendió que aquello no tenía ninguna gracia.
El cazador se puso entre el lobo y la niña y, con voz firme, le ordenó que saliera de la casa. El animal miró al cazador, miró la puerta abierta y decidió que aquel ya no era un buen lugar para seguir con su trampa. Salió disparado y desapareció entre los árboles.
—¡La abuela está en el armario! —dijo Caperucita, que por fin había entendido de dónde venían los golpes. Entre los dos apartaron la silla y abrieron la puerta. La abuela salió despacio, todavía asustada. En cuanto vio a su nieta, la abrazó con todas las fuerzas que le quedaban.
El cazador se aseguró de que las dos estuvieran bien y prometió avisar en el pueblo de que el lobo seguía rondando por el bosque. La abuela se sentó junto a la ventana para respirar tranquila; Caperucita le alcanzó un vaso de agua y se quedó a su lado, sin soltarle la mano, durante un buen rato.
Cuando las dos se sintieron mejor, abrieron la cesta. Los panecillos todavía olían a recién hechos y el frasco de mermelada había llegado entero. Pusieron las flores en un jarrón y se sentaron a desayunar. Se habían llevado un susto enorme, sí, pero ahora estaban juntas, y eso era lo que de verdad importaba.
Antes de volver a casa, Caperucita le dio un beso a su abuela y recogió su caperuza roja, que había quedado sobre una silla.
—Mañana vuelvo a verte —le dijo—. Y esta vez vendré por el sendero, sin apartarme a buscar flores ni contarle a un desconocido dónde vives, por muy amable que parezca.
La abuela le acomodó la caperuza y sonrió. Afuera, entre los árboles, el viento seguía moviendo las hojas. El bosque era el mismo de aquella mañana; lo que había cambiado era la forma en que Caperucita lo miraba. Y así, con la cesta vacía y el corazón un poco más tranquilo, emprendió el camino de vuelta.
Para conversar después del cuento
¿Por qué crees que Caperucita confió en el lobo, aunque no lo conocía?
Si pudieras darle un consejo a Caperucita antes de que empezara su paseo por el bosque, ¿qué le dirías?
Revisado e aprovado











