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Por que é tão difícil admitir que erramos?

Reconhecer um erro parece simples até precisarmos fazer isso diante de alguém que magoamos. Por que essas palavras custam tanto?

3 min de leitura

Uma pessoa chega atrasada, outra está esperando há vinte minutos e a conversa começa mal. A primeira poderia dizer: «Desculpa, eu devia ter avisado». São poucas palavras. Mas, antes de pronunciá-las, explica o trânsito, o celular sem bateria e como o dia foi complicado. No fim, quem esperou precisa defender o próprio direito de estar chateado.

Parece familiar? Às vezes gastamos mais energia explicando por que fizemos alguma coisa do que olhando para o efeito disso sobre outra pessoa.

Dizer «eu errei» parece simples quando falamos de um erro alheio. A dificuldade aparece quando essas duas palavras ameaçam a imagem que temos de nós mesmos. Queremos ser pessoas justas, atenciosas, consideradas. Descobrir que, numa ocasião específica, não fomos assim pode ser desconfortável.

O pequeno advogado que carregamos dentro de nós

Pense numa discussão de família. Alguém diz algo que machuca e, assim que percebe a reação do outro, começa a defesa: «Não precisava exagerar». «Você entendeu errado». «Você também já me disse coisas piores». Talvez algumas circunstâncias realmente precisem ser explicadas. O problema surge quando todas as explicações acabam tomando o lugar do pedido de desculpas.

A psicóloga Karina Schumann estudou por que algumas pessoas resistem a pedir desculpas ou fazem isso de maneira superficial. Numa revisão publicada em 2018, ela descreve, entre outros obstáculos, o receio de prejudicar a própria imagem, o pouco interesse em reparar a relação e a ideia de que pedir desculpas não vai adiantar.

Esse último ponto merece atenção. Nem sempre é o orgulho que nos impede de pedir desculpas. Às vezes temos medo de que a outra pessoa zombe de nós, use nossas palavras para atacar ou transforme a conversa em algo pior. Também pode acontecer de alguém não reconhecer o sofrimento causado porque interpreta os fatos de outra maneira. Perceber essas diferenças evita transformar todo conflito numa disputa entre humildade e ego.

Há algo curioso na frase «desculpa se você ficou chateado». Parece um pedido de desculpas, mas deixa aberta a possibilidade de que o único problema tenha sido a sensibilidade da outra pessoa. Às vezes uma pequena mudança deixa tudo mais claro: «O que eu disse foi errado e entendo que tenha machucado você».

Não é uma fórmula mágica. Podemos usar as palavras certas sem acreditar nelas e continuar agindo da mesma forma no dia seguinte. A reparação, quando é possível, também aparece nas escolhas posteriores.

Quando ter razão deixa de ser o principal

Em outro estudo publicado em 2014, Schumann observou que uma intervenção para fortalecer a segurança pessoal de quem havia cometido uma falta favorecia pedidos de desculpas mais completos nas condições analisadas. É um indício de que proteger a própria imagem pode atrapalhar o reconhecimento de um erro, não uma prova de que todos reagimos do mesmo jeito.

Às vezes a questão principal não é decidir quem ganhou a discussão. Se alguém esqueceu uma promessa, ridicularizou outra pessoa diante dos amigos ou falou com desprezo, a situação merece mais do que uma explicação brilhante. Merece atenção ao que aconteceu do outro lado.

Também existem situações nas quais não é prudente procurar alguém novamente. Se houve maus-tratos, ameaças ou uma relação que precisa de distância, pedir desculpas não dá o direito de insistir nem de recuperar a confiança. Reconhecer um erro também inclui respeitar os limites que outras pessoas escolheram estabelecer.

O mais difícil talvez seja aceitar duas coisas ao mesmo tempo: podemos ter motivos compreensíveis para agir como agimos e, mesmo assim, ter causado sofrimento. Uma realidade não apaga a outra.

Afinal, não é preciso ser uma pessoa terrível para errar. Basta ser uma pessoa. O complicado começa quando tentamos provar que isso nunca acontece conosco.

F. J. Levin

Revisado e aprovado

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